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A adoção do Building Information Modeling (BIM) tem transformado profundamente a forma como os profissionais do setor da construção colaboram, planeiam e executam os seus projetos. Esta metodologia, mais do que um simples software, promove uma abordagem integrada e colaborativa entre arquitectos, engenheiros, construtores e outros intervenientes, trazendo benefícios significativos para todas as fases do ciclo de vida de um edifício.
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Uma nova forma de colaboração
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Tradicionalmente, o trabalho entre arquitectos, engenheiros e equipas de construção era feito de forma sequencial. O arquitecto desenvolvia o projeto, que depois era entregue ao engenheiro para que fossem desenvolvidos os projetos de especialidades, e posteriormente à equipa que estava encarregue da execução da obra. Esta lógica linear dava frequentemente origem a erros de comunicação, incompatibilidades técnicas e atrasos na execução. Com o BIM, essa realidade muda completamente.
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A principal mais-valia do BIM é permitir que todos os técnicos intervenham num modelo digital partilhado, em tempo real. Arquitectos, engenheiros civis, engenheiros eletrotécnicos, engenheiros mecânicos, engenheiros técnicos e coordenadores de obra podem visualizar e editar o projeto em simultâneo, garantindo que todas as decisões são tomadas com base na mesma informação atualizada.
As dimensões do BIM e o papel de cada técnico
O BIM é frequentemente descrito através das suas diferentes dimensões, cada uma associada a um tipo de informação que se acrescenta ao modelo tridimensional base.
- 3D – Modelação tridimensional
Permite a criação de um modelo geométrico e visual preciso. Essencial para arquitetos e engenheiros estruturais, serve de base à coordenação das especialidades. - 4D – Planeamento temporal
Adiciona a componente do tempo ao modelo, permitindo associar fases de construção a elementos específicos. É fundamental para engenheiros civis e responsáveis pelo planeamento da obra. - 5D – Estimativa de custos
Integra os custos associados a cada elemento construtivo. Ajuda orçamentistas e engenheiros a prever os investimentos em cada fase e a controlar os custos em tempo real. - 6D – Sustentabilidade e análise energética
Inclui dados sobre desempenho energético, eficiência ambiental e impacto sustentável dos materiais. Muito útil para engenheiros mecânicos e especialistas em sustentabilidade. - 7D – Gestão do ciclo de vida (Facility Management)
Permite acompanhar a operação, manutenção e eventual reabilitação do edifício ao longo do tempo. Relevante para empresas de gestão de edifícios e entidades públicas. - 8D – Segurança e prevenção em obra
Foca-se na identificação e prevenção de riscos no estaleiro, com base na simulação de processos construtivos. Essencial para coordenadores de segurança e saúde no trabalho. - 9D – Lean Construction
Relaciona-se com a melhoria contínua e eliminação de desperdícios no processo de construção. Baseia-se em princípios de Lean Management, promovendo maior produtividade e eficiência. - 10D – Industrialização e construção modular
Refere-se à integração de processos industriais na construção, como a pré-fabricação, montagem em fábrica e entrega just-in-time. Esta dimensão ganha relevância com o crescimento da construção modular e off-site.
Vantagens de uma equipa multidisciplinar em BIM
A utilização do BIM traz vantagens claras para todos os envolvidos:
- Redução de erros e retrabalho: A deteção automática de conflitos (clash detection) entre sistemas, como canalizações que colidem com estruturas, evita problemas em obra.
- Tomada de decisão mais informada: Com todos os dados centralizados, as decisões são mais rápidas e sustentadas.
- Maior eficiência no planeamento e execução: A visualização integrada do projeto permite prever desafios e otimizar processos.
- Melhor comunicação com o cliente: A possibilidade de apresentar modelos 3D realistas melhora a compreensão do projeto por parte dos clientes finais.
- Transparência e rastreabilidade: Todas as alterações são registadas, permitindo acompanhar o histórico do projeto.
BIM como motor de mudança no setor da construção
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A crescente adoção do BIM tem levado à criação de normas e diretrizes específicas. O formato IFC (Industry Foundation Classes), por exemplo, é um padrão internacional que garante a interoperabilidade entre diferentes programas BIM.
Em Portugal, a implementação do BIM está alinhada com as orientações europeias, sendo cada vez mais comum em concursos públicos de grande escala. |
O BIM representa uma oportunidade única para melhorar a qualidade dos projetos, reduzir desperdícios e promover uma verdadeira colaboração entre arquitectos, engenheiros e equipas de construção. Ao integrar informação, especialidades e processos num modelo digital partilhado, o BIM aproxima os técnicos, facilita a coordenação e transforma a forma como construímos.
Fontes:
- BuildingSMART Portugal. (2022). Guia BIM para Profissionais. Disponível em: https://buildingsmart.pt
- Ordem dos Arquitetos. (2021). BIM: Guia de Introdução para Arquitetos.
- European Commission. (2019). Handbook for the introduction of Building Information Modelling by the European Public Sector.
- Autodesk. (2020). The BIM Handbook: A Guide to Building Information Modeling for Owners, Designers, Engineers, Contractors, and Facility Managers.
- Bentley Systems. (2021). Digital Twins and the Evolution of BIM.
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